domingo, 10 de dezembro de 2017

Chãos de Outono

 Texto e fotografia,Mz




Hoje, nada do que eu partilho aqui, estará igual.
Há uma tempestade que chicoteia a noite, e tudo o que é físico.
O éter agita-se, a natureza move-se, e, em breve, já não existe Outono. 
Estes chãos já morreram.


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Teias de tricot

 Texto e fotografia,Mz



Sentada e à espera, cruzava as longas pernas pensando numa estratégia hábil que a beneficiasse ao máximo. Pensou escrever um anúncio no jornal da biodiversidade. Sabia tecer teias e sabia caçar como ninguém, por isso, escrever não iria ser difícil. Escondida, fixava o horizonte com os seus oito olhos á espera que alguma ideia surgisse. Pareceu-lhe óptimo um anúncio de trabalho; uma armadilha de Dezembro, como a melhor prenda de final de ano. O natal dos bichos numa história para crianças e para adultos sonhadores, resulta sempre! Então, iria ser assim - um anúncio para moscas e mosquitos e, até mesmo, para algumas espécies iguais a si. 
No engodo para que caíssem na teia para sempre, inventou a empresa - Aranha e Companhia - uma banca ao ar livre a recrutar funcionários com entrada imediata.



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Frio de Dezembro.

 Texto e fotografia,Mz




Já é Dezembro e acordámos assim, a geada a cobrir tudo o que ficou ao relento. Um sol morno que não nos consegue aquecer o rosto, mas logo, logo, uma vontade de sair de casa com os narizes já arrefecidos pela aragem. Das bocas, baforadas de vapor como se de dentro de nós tudo fosse uma gigantesca panela de água quente. Na caminhada, adoramos o chão de geada a estalar por baixo dos pés; terra, ervas e folhas. Já tínhamos saudades disto; do frio a sério que até mata os bichos pequeninos - dizem os antigos. Saudades deste frio que adoça as laranjas e as tangerinas.