quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Flores de Outubro




Texto e fotografia,Mz


Ainda existem rosas depois do sol escaldante, do queimado, do desespero de não ter nada. E no horror de morrer novo, só pedimos coisas simples, uma forma lenta e bela de envelhecer, ainda que as cores se nos desmaiem, como algumas flores de Outubro.



domingo, 15 de outubro de 2017

Moram na casa dos vizinhos


Texto e fotografia,Mz





Para além de todos os bichos peregrinos que param aqui de vez em quando, e que se deixam fotografar perpetuando assim o testemunho da sua passagem, existem os outros. Os residentes. São dos meus vizinhos, moram na minha rua e hoje, apresento-os aqui. 
Os gansos são como cães de guarda e não existe suborno que os ludibrie. Atiram-se às nossas pernas como cães do outro mundo, um imaginário bicho enganoso com asas e sem dentes. É o Laranjinha. Mas digo-vos que, escutar o seu grasnar em dias de silêncio, é sem dúvida, o momento mais bucólico da aldeia. Adoro. O Chico é pachorrento, e as suas passadas lentas combinam com o latido arrastado. Um doce orelhudo. Depois a Duquesa, gata sedutora - ora astuta, ora lânguida - uma espia de ratos do campo - ora assassina, ora uma ternura - confirmo que é uma gata de vida dupla. 


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Jardinagem



Texto e fotografia,Mz


É isto!
Plantar, cuidar, colher e levar para casa.
Flores de outono no jardim com Anémonas Japonesas e Raquelinas na cor dos afectos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

S. Pedro do Sul - magia da água

Texto e fotografia,Mz




As tias foram a banhos -  termais de bem-estar. Um alarido!
Malas de roupa com casaquinhos leves, mantinhas de ombros, e outros agasalhos. A contrastar, os fatos de banho com perninha e toucas de lei. Os cremes, os pijamas, os chinelinhos e os sapatos de passeio. Os vestidos, os fatos de sala de jantar e os fatos de treino. Um carrego de malas, mais os medicamentos e as cestinhas de crochet. Quinze dias entre piscinas, duches, massagens, canseiras, repouso e convívios.  De corpo e alma aquietada, regressaram felizes.


domingo, 1 de outubro de 2017

Abelhas de mel no jardim


Texto e fotografia,Mz





Os vizinhos têm colmeias.
Eu tenho flores.

Nasce assim uma simbiose com a biodiversidade onde a recompensa é uma soma apaixonante apenas porque gostamos deste mundo. E gostar, é mesmo amar o que nos pode salvar a vida. Da sacada a poente, ao fim do dia, uma língua de floresta afogueada e um pôr do sol tão poderoso que o verde se torna inflamado, abraseado. Cá dentro, onde o gradeamento nos divide do caminho de todos, tudo se ilumina por instantes  e temos então em corredor, uma fila de alfazemas com as flores de um roxo ainda mais intenso. Ao fundo, os malmequeres mais amarelos, mais luminosos e as lantanas, mais coloridas. Tudo serve de poiso aos insectos que entre as flores, e o alimento, desconfio do namoro, porque nunca sabemos ao certo, se não serão também, alguns beijos. 



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Colheita do arroz

Texto e fotografia,Mz


Para finalizar Setembro, um pouco do rural onde se esconde este mundo dos arrozais.Calçamos as galochas altas, chapéu de aba larga na cabeça e descemos o campo. Os pântanos, são agora terra seca, sulcada e dividida como torrões ocultando outra terra. Nada parece ser assim, quando os olhos veem o todo. Contei-vos aqui, que o verde fresco iria transformar-se e, aqui está agora; palha, pastel, caramelo, verdes secos e uns toques de laranja. Trago-vos uma espiga sobrante para poderem ver onde se aloja o grão – a sua casa. E o que eu gosto mesmo, é do seu testemunho maduro. Apanham-se os grãos e, com as mãos em conchinha, chocalhamos, fechamos os olhos e a magia acontece: um som lindo de sinos suaves. Inexplicável.